O projeto

O projeto é de autoria do arquiteto João Batista Giovenale, então professor da Academia de Belas Artes - São Lucas - de Roma, e membro da Comissão de Arte Sacra da Basílica de São Pedro. O arquiteto era notável por trabalhos executados em Roma, tais como a cripta da Igreja de Santa Cecília e o novo Museu Petriano, destinado a conservar as antiguidades e objetos de arte da antiga basílica Constantiniana, além de outras obras de restauração de templos romanos.
O arquiteto João Batista Giovenale

No espaço disponível de 50 metros, entre duas ruas, a do Espírito Santo e a de Dom Sebastião, por 80 metros de frente a fundo, Giovenale elaborou o projeto do atual templo. A obra seria de destaque como monumento religioso do Rio Grande do Sul, tanto pelas linhas arquitetônicas, como pelo material empregado, o granito róseo de Teresópolis. A posição privilegiada no terreno sugeriu ao arquiteto a idéia de dar à cúpula um excepcional volume para que pudesse, também de pontos longíquos, chamar a atenção dos fiéis.

O estilo

O arquiteto romano, embora conservando no desenho geral da fachada a simplicidade e firmeza das linhas que caracterizam a arte da primeira Renascença, em cujo estilo foi inspirada a nova catedral, contudo quis dar-lhe um forte movimento pelo contraste dos três corpos salientes (frontespício e torres) com intervalos na altura dos terraços sobre as naves laterais, e dar-lhe também profundidade e claro-escuro, graças à parte central e aos grandes vãos, os quais pela forma e tamanho, levam o olhar à penumbra do vestibulo ou pórtico da entrada.

A diferença de nível entre a Praça Marechal Deodoro e o páteo superior do antigo Seminário (atual Cúria Metropolitana), sendo cerca de 8 metros, permitiu uma grandiosa e vasta cripta, para assim poder-se conservar o culto religioso na antiga catedral, até que estivesse concluida a cripta do novo templo para onde passariam a funcionar provisoriamente as cerimonias do culto.

Foram demolidas, primeiramente, as sacristias, a capela-maior e a capela do Santíssimo da antiga igreja, tendo sido antes elevado, o arco-cruzeiro da igreja, um muro de alvenaria, o qual ficou fechando o fundo do velho templo e assim pode-se escavar o resto do terreno para a cripta, facilitando ao mesmo tempo a escavação para os quatro grandes pilares, sustentáculos na cúpula.

Aspectos da demolição da antiga Catedral
No projeto da nova igreja, o arquiteto deu à parte posterior uma alta e poderosa base, como o estava a exigir a imensa mole do templo, especialmente a grande cúpula.

Idealizando a parte externa da cripta, inspirou-se num estilo antigo, que dissesse bem com o estilo da edificação que é o da Renascença, e afim de aumentar o aspecto de solidês da parte básica do monumento à semelhança das antigas edificações dos incas do Perú, o arquiteto quis que as paredes fossem formadas de grossas pedras toscas de granito, de 1,30m de altura.

A Igreja de São Domingos em Lima, por exemplo, está construída sobre as ruinas do templo do sol, cujas portas e janelas têm o mesmo feitio trapeizodal com as de nossa cripta.

Início das obras

As obras iniciaram-se com os grandes trabalhos de aparelhamento do terreno, com a demolição da capela-mór da igreja, da Caplea do Santíssimo, das sacristias, e de diversos prédios à R. Espírito Santo, um adquirido e outros pertencentes à Irmandade de São Miguel e Almas, à Irmandade de Santa Cecília, por estar cedidos para a construção da nova catedral.

No dia 07 de agosto de 1921 lançou-se a pedra fundamental do templo. Para o grande empreendimento a Comissão executiva das obras julgou conveniente a aquisição de uma pedreira. Foi então escolhido o morro de Teresópolis, um terreno que a entidade Pão dos Pobres possuia e que recebera dos remanescentes do patrimônio do projetado Orfanotrofio do Padre João Pereira Lima. Ali foi aberta uma escavação, de onde saiu toda a pedra necessária para a cripta e a metade dos muros da edificação.

Pedreira de propriedade da Catedral, situada na "Abera dos Morros" em Vila Nova, de onde são extraidas as pedras de cantaria para a construção do templo
As primeiras gigantescas pedras da cripta em carretão especial foram trazidas por 4 juntas de bois, visto que não caminhões em Porto Alegre.
A seguir, instalou-se uma oficina de cantaria e mais tarde foram adquiridos as maquinárias para fornecimento de ar comprimido a fim de acionar os aparelhos e marteletes de alisar as pedras e as colunas.

Vistas das obras, no ano de 1945.

Uma das vistas das obras, no ano de 1948.

E a todos é dado admirar o primoroso frontispício de granito lavrado, encimado por uma cruz coroada entre dois esbeltos candelabros, formado de cantos de pedra, com 8 colunas graníticas de um só pedaço no formoso pórtico, ornadas com capitéis dóricos ingentes e estriadas cimalhas e largas cornijas de granito, que realçam as linhas arquitetônicas formando um todo harmônico e grandioso.

A Cúpula

A cúpula possui 65 metros de altura do nível da Praça, enquanto as torres somente 50m, a fim de, em menor proporção, tornarem simétrico o conjunto e não diminuirem a grandiosidade do zimbório.

A cúpula tem um diâmetro interno de quase 18 metros, maior que o da cúpula de Santo André della Valle, em Roma (16,50m), a maior cúpula romana até então, depois da de São Pedro, que tem 42m de diâmetro. Junto à cúpula formam, estaticamente, quase que contrafortes, as semi-cúpulas das ábsides esteticamente se ajustam com as massas prismáticas das naves.

Os quatro grandes pilares, sustentáculos da cúpula.
Vista tirada da R. Cel. Fernando Machado (antiga R. do Arvoredo)

Frontespício e cúpula em construção.

A cúpula hoje, vista internamente.

A Cripta

Também esta causa admiração pela sua artística concepção e execução vigorosa em grandes blocos de granito, formados de 1,30m de altura.

Chamam a atenção as 8 gigantescas cabeças de índios incrustadas nos muros ciclópicos das paredes. Formam elas quase que cariátides esculpidas em grandes pedaços de rocha. Na verdade, a cripta, com essas pedras descomunais, representa a fase bárbara do Rio Grande, e ninguém poderá negar que aquelas cabeças antropomórficas no pedestal deste monumento não tenham um quê de profundo simbolismo regional, a relembrar uma página viva da antiga história riograndense, onde se confundem os índios Minuanos, Tapes, Charruas, Patos, Coroados, Guaranis, Botucudos e Kaigans, sendo estes últimos moradores no local onde depois surgiu a cidade de Porto Alegre.

A cripta em construção.

A cripta, hoje.

Singular é também o motivo ornamental das cimalhas da cripta, e foi tirado da arte rudimentar dos selvícolas riograndenses bem acentuada nas conhecidas panelas e outros artefatos de barro.

Gravadas nas monolíticas arquitraves de pedra, nos vãos trapezoidais das portas e janelas, grandes cruzes indicam o caráter sagrado do edifício. Como que escavadas nessa montanha de granito, oito portas originais dão acesso na cripta, aos consistórios, às capelas e aos demais compartimentos.


As vergas que encimam as duas portas principais são de uma só peça inteiriça, e medem 4,45x1,06m de altura, e 0,60m de espessura. A altura dessas duas portas é de 4,70 por 2,18 de largura, no alto, e 2,50m na base.

A luz externa incide no interior da cripta por treze janelas, das quais cinco são tríforas com vergas também de granito inteiriças, descansando sobre colunas de pedra, todas elas emolduradas por um duplo listel escavado na pedra bruta.


Os sinos

Peso (kgf)

Denominação

Nota

01

3.800

Mãe de Deus

SOL

02

2.500

São Pedro

SI bemol

03

1.750

Ssmo. Sacramento

04

1.080

Dom João Becker

MI bemol

05

750

Dom Vicente Scherer

06

540

Espírito Santo

SOL