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O arquiteto João Batista Giovenale |
A diferença de nível entre a Praça Marechal Deodoro e o páteo superior do antigo Seminário (atual Cúria Metropolitana), sendo cerca de 8 metros, permitiu uma grandiosa e vasta cripta, para assim poder-se conservar o culto religioso na antiga catedral, até que estivesse concluida a cripta do novo templo para onde passariam a funcionar provisoriamente as cerimonias do culto.
Foram demolidas, primeiramente, as sacristias, a capela-maior e a capela do Santíssimo da antiga igreja, tendo sido antes elevado, o arco-cruzeiro da igreja, um muro de alvenaria, o qual ficou fechando o fundo do velho templo e assim pode-se escavar o resto do terreno para a cripta, facilitando ao mesmo tempo a escavação para os quatro grandes pilares, sustentáculos na cúpula.
| Aspectos da demolição da antiga Catedral | ![]() |
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Idealizando a parte externa da cripta, inspirou-se num estilo antigo, que dissesse bem com o estilo da edificação que é o da Renascença, e afim de aumentar o aspecto de solidês da parte básica do monumento à semelhança das antigas edificações dos incas do Perú, o arquiteto quis que as paredes fossem formadas de grossas pedras toscas de granito, de 1,30m de altura.
A Igreja de São Domingos em Lima, por exemplo, está construída sobre as ruinas do templo do sol, cujas portas e janelas têm o mesmo feitio trapeizodal com as de nossa cripta.
No dia 07 de agosto de 1921 lançou-se a pedra fundamental do templo. Para o grande empreendimento a Comissão executiva das obras julgou conveniente a aquisição de uma pedreira. Foi então escolhido o morro de Teresópolis, um terreno que a entidade Pão dos Pobres possuia e que recebera dos remanescentes do patrimônio do projetado Orfanotrofio do Padre João Pereira Lima. Ali foi aberta uma escavação, de onde saiu toda a pedra necessária para a cripta e a metade dos muros da edificação.
| Pedreira de propriedade da Catedral, situada na "Abera dos Morros" em Vila Nova, de onde são extraidas as pedras de cantaria para a construção do templo | ![]() |
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As primeiras gigantescas pedras da cripta em carretão especial foram trazidas por 4 juntas de bois, visto que não caminhões em Porto Alegre. |
| Vistas das obras, no ano de 1945. | ![]() |
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Uma das vistas das obras, no ano de 1948. |

A cúpula tem um diâmetro interno de quase 18 metros, maior que o da cúpula de Santo André della Valle, em Roma (16,50m), a maior cúpula romana até então, depois da de São Pedro, que tem 42m de diâmetro. Junto à cúpula formam, estaticamente, quase que contrafortes, as semi-cúpulas das ábsides esteticamente se ajustam com as massas prismáticas das naves.
| Os quatro grandes pilares, sustentáculos da cúpula. | ![]() |
| Vista tirada da R. Cel. Fernando Machado (antiga R. do Arvoredo) | ![]() |
| Frontespício e cúpula em construção. | ![]() |
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A cúpula hoje, vista internamente. |
Chamam a atenção as 8 gigantescas cabeças de índios incrustadas nos muros ciclópicos das paredes. Formam elas quase que cariátides esculpidas em grandes pedaços de rocha. Na verdade, a cripta, com essas pedras descomunais, representa a fase bárbara do Rio Grande, e ninguém poderá negar que aquelas cabeças antropomórficas no pedestal deste monumento não tenham um quê de profundo simbolismo regional, a relembrar uma página viva da antiga história riograndense, onde se confundem os índios Minuanos, Tapes, Charruas, Patos, Coroados, Guaranis, Botucudos e Kaigans, sendo estes últimos moradores no local onde depois surgiu a cidade de Porto Alegre.
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A cripta em construção. |
| A cripta, hoje. | ![]() |
Gravadas nas monolíticas arquitraves de pedra, nos vãos trapezoidais das portas e janelas, grandes cruzes indicam o caráter sagrado do edifício. Como que escavadas nessa montanha de granito, oito portas originais dão acesso na cripta, aos consistórios, às capelas e aos demais compartimentos.

A luz externa incide no interior da cripta por treze janelas, das quais cinco são tríforas com vergas também de granito inteiriças, descansando sobre colunas de pedra, todas elas emolduradas por um duplo listel escavado na pedra bruta.

Peso (kgf) |
Denominação |
Nota |
|
01 |
3.800 |
Mãe de Deus |
SOL |
02 |
2.500 |
São Pedro |
SI bemol |
03 |
1.750 |
Ssmo. Sacramento |
DÓ |
04 |
1.080 |
Dom João Becker |
MI bemol |
05 |
750 |
Dom Vicente Scherer |
FÁ |
06 |
540 |
Espírito Santo |
SOL |