Segundo Monsenhor Balém, foi por esta época que se ergueu a modesta capela sob a invocação
de São Francisco das Chagas, dando nome a nascente povoação de São Francisco do Porto dos
Casais. Esta primitiva capela foi construída junto a Rua da Praia, não passando de um
modesto rancho de pau-a-pique.
| A histórica e primitiva imagem de S.Francisco das Chagas, primeiro padroeiro de Porto alegre, quando era Porto dos Casais. | ![]() |
A pedido do então governador Marcelino de Figueiredo, em 1771, devido ao precário atendimento religioso, que a recente povoação recebia, Dom Antônio do Desterro, Bispo do Rio de Janeiro (que até 1848, tinha jurisdição sobre todo o território do Rio Grande do Sul) cria a 26 de março de 1772, a Freguesia (termo que designava paróquia) de São Francisco do Porto dos Casais, desmembrando-a da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão e nomeando como vigário o padre José Gomes de Faria, natural de Pernambuco, ex-vigário de Taquari.
Na mesma provisão, onde Dom Antônio do Desterro cria a nova freguesia, também pede que se construa uma nova igreja, que possa servir de Matriz: "E porque, no referido lugar não se acha ainda igreja que possa servir de Matriz: mandamos aos novos paroquianos procurem sem perda de tempo fundarem uma nova igreja com capacidade de Matriz" (Arquivo Eclesiástico do RJ, in Rubert, p. 94).
Em 18 de janeiro de 1773, o bispo do Rio de Janeiro, muda o Orago da recente freguesia de São Francisco para Nossa Senhora Madre de Deus. Conforme Monsenhor Balém, tratava-se de uma forma de homenagear a princesa D. Maria, filha de D. José, rei de Portugal, futura mãe de D. João VI. Havia também a intenção do governador Marcelino de Figueiredo de contentar o monarca D. José, devoto da Virgem Maria (sobre isso, há ainda outras opiniões que se encontram no livro “A primeira paróquia de Porto Alegre”, de autoria de Mons. Maria Balém).
Com a transferência da capital do Estado, que mudou de Viamão para Porto Alegre, tornou-se
evidente a necessidade da construção de uma nova igreja com dimensões correspondentes à nova
situação de Porto Alegre. Em 12 de julho de 1772, o vice-rei manda que se demarque entre as
datas de terra dadas aos casais açorianos uma expressamente destinada a construção da nova
igreja.
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A antiga igreja catedral, no dia da festa do Divino |
Junto a paróquia Madre de Deus, ao longo dos anos, foram surgindo várias irmandades, que congregavam os leigos e os motivavam a obras comunitárias, como São Miguel e Almas, Divino Espírito Santo e Santíssimo Sacramento.
Todo o território de Porto Alegre pertenceu a paróquia Madre de Deus até 1832, quando são criadas as paróquias de Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Rosário.
A 07 de maio de 1848, o Papa Pio IX por Bula "Ad Oves Dominicas Rite Pascendas" cria a diocese de São Pedro do Rio Grande do Sul, designando na mesma Bula por Catedral provisória a igreja Matriz de Nossa Senhora Madre de Deus.
Os três primeiros bispos, Dom Feliciano, Dom Sebastião e Dom Cláudio José, não puderam
realizar a construção de uma nova Catedral, provavelmente, devido ao empenho dedicado a
outros trabalhos pastorais.
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O arcebispo D. João Becker, iniciador da nova catedral (nascido em 24.02.1870 e falecido em 15.06.1946) |
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O arcebispo D. Claudio Colling |
| A antiga imagem de Nossa Senhora Madre de Deus | ![]() |
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O arcebispo D. João Becker discursando na solenidade do lançamento da primeira pedra da torre da catedral. |

BIBLIOGRAFIA:
RUBERT, Arlindo. História da Igreja no Rio Grande do Sul; época colonial. Porto Alegre,
EDIPUCRS, 1994.
______________. História da Igreja no Rio Grande do Sul; época imperial. Porto Alegre,
EDIPUCRS, 1998.
BALÉM, João Maria. A Catedral de Porto Alegre. Porto Alegre, IHFRGS, 1956.
_______________. A primeira Paróquia de Porto Alegre. Porto Alegre, Centro da Boa Imprensa,
1941.